sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Comparação desigual, Sociedade desalternativa

A uns tempos atrás, conheci uma mulher, com seus quarenta e poucos anos, muito humilde, simpática, e feliz. Ela é enfermeira a vinte anos, e trabalhava dia sim, dia não, doze horas por dia. Sinceramente, admiro muito pessoas que exercem esta profissão, pois é uma ocupação complicadíssima, onde se consegue enxergar a raça humana da forma mais infecta, e que se trata apenas de ajudar, auxiliar e amparar pessoas que muitas vezes, sofrem dos mais variados males, muitos destes impublicáveis, tamanha a dor, e repugnância. Pois bem, esta mesma mulher, disse-me que seu ordenado mensal era baixo, e que gostaria de ganhar mais dinheiro pelo humano trabalho exercido, e ao ser questionada sobre o porque ainda continuava neste emprego, de bate-pronto ela me respondeu: POR AMOR.
Não muito longe daqui, em Porto Alegre, existem duas agremiações, times de futebol de reconhecidos no cenário mundial. O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e o Sport Club Internacional, equipes que movem montanhas, têm uma grande rivalidade, e têm receitas caríssimas para pagar salários de funcionários, dirigentes, e tudo o que é englobado dentro e fora das quatro linhas. Inclusive dos jogadores. Jogadores, a este ponto eu queria chegar. Jogadores de futebol. Um jogador tem uma carreira de em média 24,3 anos, ganham salários estratosféricos, para muitas vezes (e muitos casos com este) em que a fama sobe a cabeça, e que por estes e outros casos, se nota o desamor pelo clube, pela torcida, e pela profissão. Ganhar milhões, para causa brigas com técnicos, torcida, para treinar quatro horas por dia, e muitas vezes nem jogar, é mais que um exagero.
Onde está o amor pela profissão? Está nas mais rústicas e simples ocupações. E porque a comparação é tão desigual? Porque a heroína de todos os dias, é menos citada, e menos aplaudida do que pseudo-heróis, que dia salvam, que dia destroem, algo que socialmente não tem lá grande importância? Porque nós, seres humanos, damos muito valor a competição, queremos ser sempre melhores, maiores que os outros embora não admitamos tais afirmações. Mas esquecemos sempre, que hoje, podemos ter o pseudo-sentimento de maioridade, mas que amanhã viraremos pó, e seremos iguais a quem um dia por nós foi pisoteado. Sou fã de futebol, não nego, todo mundo que me conhece sabe. O problema não é gostar de futebol, nem jogar. O problema, é que aceitamos este tipo de situação de meneira muito normal, deixando de lado reais valores, e minimizando profissões importantes como as do ramo da saúde. Somos muitas vezes iludidos, seja pela imprensa (mídia escrita, internet, rádio, e principalmente a televisão) e por nós mesmos, que fingimos fechar os olhos para a verdade, mentindo para si próprio.

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